No último dia 15, durante a celebração dos seus 80 anos, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) realizou, em Roma, sua conferência anual com o tema “De mãos dadas para uma alimentação e um futuro melhor”. Durante a solenidade, a instituição reconheceu três iniciativas da Embrapa e parceiros, destacando a contribuição, inovação e práticas na transformação de sistemas agroalimentares sustentáveis.
Nesse contexto, mais de 1.300 iniciativas e 239 instituições participaram do evento, sendo reconhecidas por 6 categorias estabelecidas pela entidade. Dada a relevância, a Embrapa obteve destaque, sendo homenageada nas seguintes categorias: Cooperação Sul-Sul e Triangular (Programa MarketPlace); Produção e Proteção Sustentável de Florestas (Manejo Florestal Sustentável) e Boas Práticas e Inovações (Programa Balde Cheio).
Para Silvia Massruhá, presidente da Embrapa, ter a marca da ciência brasileira em âmbito internacional demonstra a excelência do trabalho dos pesquisadores em prol do avanço da sociedade. Além disso, a presidente, entre os dias 12 e 16 de outubro, esteve presente em reuniões e em fóruns alinhados à segurança alimentar e à sustentabilidade, visando um futuro melhor.
Fonte: Embrapa
Assim, desde a abertura do Fórum Mundial da Alimentação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 13, até a celebração do dia mundial da alimentação no dia 16, os países e nomes de alta relevância lideraram conversas essenciais para o combate contra a fome. Esse encontro expressa a colaboração de inúmeras partes a favor da Agenda 2030, a fim de cooperar com a redução da pobreza para o desenvolvimento sustentável.
Fonte:
EMBRAPA. Reconhecimento internacional da FAO destaca a excelência da ciência agropecuária do Brasil. 2025. Disponível em: <https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/103802237/reconhecimento-internacional-da-fao-destaca-a-excelencia-da-ciencia-agropecuaria-do-brasil?p_auth=oTJDPrDq>.
NAÇÕES UNIDAS BRASIL. Dia Mundial da Alimentação 2025 celebra 80º aniversário da FAO. 2025. Disponível em: <https://brasil.un.org/pt-br/303359-dia-mundial-da-alimenta%C3%A7%C3%A3o-2025-celebra-80%C2%BA-anivers%C3%A1rio-da-fao>.
Entre janeiro e setembro de 2025, o agronegócio de São Paulo manteve um forte desempenho no comércio exterior, registrando superávit de US$ 16,81 bilhões. No período, o setor foi responsável por 40,3% de todas as vendas externas do estado, com exportações de US$ 21,15 bilhões e importações de US$ 4,34 bilhões, reafirmando a importância do agro na economia paulista e nacional.
Segundo dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA-SP), os produtos do complexo sucroenergético, carnes, sucos, produtos florestais e café representaram mais de 81,8% das exportações paulistas. O destaque foi para o açúcar e o etanol, que juntos superaram US$ 6,32 bilhões em vendas externas, representando 29,9% do total.
Em relação ao mesmo período de 2024, observou-se crescimento nas exportações dos grupos de café (+43,4%), carnes (+26,3%) e sucos (+4,6%), enquanto houve retração nos segmentos de complexo sucroalcooleiro (-33,6%), produtos florestais (-5,6%) e complexo soja (-0,8%). Essas variações refletem tanto as oscilações de preços quanto às mudanças nos volumes exportados, que influenciam diretamente a receita do comércio exterior paulista.
A China manteve-se como principal destino das exportações do agro paulista, com 24,2% de participação, concentrando compras de soja, carnes, açúcar e produtos florestais. Na sequência aparecem a União Europeia (14,4%) e os Estados Unidos (12,7%). O grupo de sucos, não afetado pelo recente tarifaço de 50% imposto pelos EUA, respondeu por 34% das exportações destinadas ao país. Já os grupos de carnes (15%), café (8,5%) e produtos florestais (9,4%) registraram queda em setembro de 2025 na comparação com o mesmo mês de 2024, impactados diretamente pelo aumento tarifário.
Fonte:
NOTÍCIAS AGRÍCOLAS. Agro paulista registra superávit de US$ 16,8 bi nas exportações. Notícias Agrícolas. 2025. Disponível em: <https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/agronegocio/409280-agro-paulista-registra-superavit-de-us-16-8-bi-nas-exportacoes.html>.
O Brasil deve encerrar o ano de 2025 com um volume recorde de entregas de fertilizantes, estimado em aproximadamente 48,2 milhões de toneladas, segundo projeções apresentadas durante o 19º Simpósio Sindiadubos NPK. Esse número representa um aumento de 1% em relação ao ano anterior, mas carrega implicações importantes para a estrutura de custos, eficiência agronômica e sustentabilidade da produção agrícola nacional.
Mesmo diante da instabilidade cambial e das oscilações no preço dos insumos, os produtores têm mantido elevado o uso de fertilizantes, buscando garantir bons resultados das lavouras. No entanto, o crescimento do volume total não significa, necessariamente, que os nutrientes aplicados são mais eficientes ou de maior qualidade. O mercado tem observado uma tendência de aumento nas importações de produtos com menor concentração nutricional, muitos deles provenientes da China, como o super simples, NP e o sulfato de amônio. Esta mudança do perfil de consumo pode resultar em maiores doses por hectare para se alcançar os mesmos resultados, fato que eleva os custos e pressiona as margens dos produtores.
Fonte: Agro Estadão
Outro fator importante, é a questão logística, pois o fluxo intenso de fertilizantes nos portos brasileiros tem gerado gargalos na operação e atrasos no descarregamento, impactando diretamente a distribuição interna e os custos de transporte. Esta situação reforça a importância do planejamento antecipado de compras e da gestão de estoques, principalmente para produtores que trabalham com margens apertadas e dependem de financiamento para a compra de insumos.
Por fim, observa-se que mesmo em um cenário de custos elevados e incertezas externas, o cenário de recorde nas entregas de fertilizantes mostra o comprometimento do agronegócio brasileiro com a manutenção da produtividade nacional. Contudo, tal fato também evidencia a necessidade de atenção à eficiência do uso desses insumos e estratégias de manejo nutricional precisas, para que haja o máximo retorno econômico e sustentável.
Fonte:
AGRO ESTADÃO. Fertilizantes: Brasil deve atingir recorde de entregas em 2025. 2025. Disponível em: <https://agro.estadao.com.br/agricultura/fertilizantes-brasil-deve-atingir-recorde-de-entregas-em-2025>.
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) apontou um aumento nos custos de produção da suinocultura, que revela um cenário de dificuldades financeiras e compromete a rentabilidade dos suinocultores. É importante observar o impacto desses custos no Paraná, visto que, a nível nacional, este representa 14% da exportação da carne suína e tem 21% de participação nos empregos formais dessa atividade, segundo o IBGE (2024).
Segundo a FAEP, embora o Estado tenha atingido o recorde histórico de 12,4 milhões abatimentos de suínos, a atuação financeira das granjas piorou na comparação com o levantamento de custos feito em novembro de 2024. Dentre os principais fatores causadores desse quadro, ressalta-se: a alta despesa com energia elétrica, principalmente em regiões que demandam mais recursos para aquecer as granjas no inverno, além do custo de mão de obra e sua escassez.
Ademais, um destaque maior é dado aos custos variáveis, que não estão sendo cobertos, evidenciando um cenário de baixa remuneração dos produtores frente à intensificação dos custos de produção, o que gera um desequilíbrio entre indústria e produtor.
Fonte:
CNA SENAR. Apesar do recorde de produção, suinocultura não melhora remuneração ao produtor. 2025. Disponível em: <https://www.cnabrasil.org.br/noticias/apesar-do-recorde-de-producao-suinocultura-nao-melhora-remuneracao-ao-produtor>.
Segundo a equipe de pesquisadores da revista Hortifruti Brasil, com publicação do CEPEA, a exportação brasileira de frutas apresentou capacidade de adaptação diante do período de 2 meses do tarifaço norte-americano. O destaque positivo foi a manga, enquanto a uva apresentou um cenário de dificuldades, havendo um esforço de redirecionamento do volume exportado. Já o suco de laranja tem um cenário inverso, visto a isenção da sobretaxa de 40%. Assim, as exportações mantiveram um bom desempenho, embora com margens menores.
O desempenho da manga foi impulsionado pela saída antecipada da safra mexicana e pela alta qualidade da fruta, o que favoreceu o aumento das exportações para os Estados Unidos e a Europa. Grandes empresas do setor, como a Special Fruit, conseguiram manter contratos e parcerias estratégicas, garantindo estabilidade e reforçando o protagonismo do Vale do São Francisco no fornecimento internacional.
Por outro lado, a uva enfrentou um dos períodos mais desafiadores da última década. Com o mercado norte-americano praticamente fechado para as variedades candies, o setor buscou alternativas, direcionando parte dos embarques à Europa, Argentina e ao mercado interno. Essa estratégia evitou quedas bruscas de preços, mas não foi suficiente para compensar as perdas causadas pelas tarifas. Agora, as exportadoras voltam suas atenções para 2026, apostando na diversificação de destinos e no estímulo ao consumo doméstico.
No caso do suco de laranja, a exclusão da sobretaxa de 40% permitiu a manutenção dos embarques aos Estados Unidos, enquanto os derivados, como óleos e farelo, continuam sendo penalizados com uma alíquota de 50%. Essa diferença evidencia a importância de acordos bilaterais capazes de garantir maior competitividade ao setor.
De modo geral, o cenário do agronegócio exportador de frutas combina resiliência e prudência. O momento exige menos euforia e mais estratégia, com foco em inovação e na conquista de novos mercados para compensar as margens mais estreitas que vêm sendo registradas desde o início do tarifaço.
Fonte:
CEPEA. HF BRASIL/CEPEA: Dois meses de tarifaço: exportações resistem, mas margens são pressionadas. 2025. Disponível em: <https://www.cepea.org.br/br/releases/hf-brasil-cepea-dois-meses-de-tarifaco-exportacoes-resistem-mas-margens-sao-pressionadas.aspx>.
De acordo com estudos realizados pelo Cepea, em colaboração com a Abiove, o PIB da cadeia de soja e do biodiesel pode crescer em torno de 11,29% em 2025. O aumento da produção e a intensificação do processamento do grão por parte da indústria foram os principais fatores para o crescimento expressivo.
Deste modo, somente com esse aumento, as cadeias de soja e biodiesel vão corresponder a 21,1% do PIB do agronegócio e 6,1% do PIB nacional deste ano. O aumento de área e de produtividade, favorecidos pela tecnologia e clima, explicam o resultado significativo da safra, atingindo 170,3 milhões de toneladas em 2024/25.
Além disso, o mercado de trabalho na cadeia de soja e biodiesel registrou um aumento de 4,2% no número de pessoas ocupadas no segundo trimestre de 2025, totalizando 2,327 milhões. Assim, o setor demonstra sua crescente relevância, respondendo por 10% do agronegócio. A maior área plantada e o uso de tecnologia impulsionaram o aumento de trabalhadores no segmento de insumos.
Em contraste, a queda de ocupações "dentro da porteira" sugere um ganho de produtividade no campo. Por outro lado, o intenso avanço nos agrosserviços está ligado à maior demanda gerada pelo aumento da produção e processamento da soja.
Já no comércio exterior, o volume de exportação da cadeia aumentou 1,5% no segundo trimestre de 2025. No entanto, o recuo de 8,3% na receita com as vendas externas demonstra a pressão internacional sobre os preços, que afetou o grão e o farelo. Essa desvalorização é um resultado direto da safra mundial 2024/25 recorde, com projeções de continuidade da abundância global. A China se mantém como principal destino da soja em grão, enquanto a União Europeia e o Sudeste Asiático são importantes para o escoamento do farelo, enquanto a Índia absorve mais de 70% do óleo exportado pelo Brasil.
Fonte:
CEPEA; ABIOVE. Colheita recorde e esmagamento intenso mantêm previsão de forte alta no PIB da cadeia de soja e biodiesel neste ano. 2025. Disponível em: <https://www.cepea.org.br/br/releases/cepea-abiove-colheita-recorde-e-esmagamento-intenso-mantem-previsao-de-forte-alta-no-pib-da-cadeia-de-soja-e-biodiesel-neste-ano.aspx>.